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Produtos extendidos

Eu acredito no conceito de extensões.
Extensões acrescentam funcionalidades específicas ao produto que não são utilizadas pela maioria dos usuários, mas que com o tempo passam a ser incorporadas ao essencial do produto.
Isso existe na área de software, mas poderia existir na área de hardware com maior presença.

Exemplos:
na área de software posso baixar um plug-in que me permite adicionar efeitos que não vêm no meu editor de fotos.
Na área de hardware posso adicionar um drive de Blu-ray no meu micro que só tem drive de DVD.
Mas não tenho essa liberdade ao comprar um controle remoto para TV ou um telefone celular. Ou compro um modelo mais baratinho que só vem com o basicão ou compro funções que não irei usar. Não tenho como comprar um celular barato e ir melhorando ao longo do tempo, comprando e adicionando funcionalidades de software e hardware.

Esse pensamento além de ser limitador do ponto de vista da compra e uso é um limitador da própria indústria, que perde chance de fazer negócios com uma fatia de público diferenciada.

Projetar dando chances de o comprador fazer upgrades de hardware e software deveria fazer parte das diretrizes de projeto como recomenda o conceito de design total: não fazer um projeto para usuários “comuns” e outro para usuários específicos, mas projetar para todos os usuários: gordos, magros, com portadores de deficiência ou não. Não se deve projetar uma cadeira para gordos e outra para magros, mas uma cadeira para ambos.

Claro que, aí criamos um novo paradigma: ao oferecer produtos baratos que permitem upgrade, podemos estar minando o mercado de produtos mais caros.
Não acredito muito nessa hipótese, que pode vir a ser real, mas o mercado já tem uma fórmula para equacionar esse tipo de situação: o produto “completo e caro” custa X, o produto adquirido “aos poucos” pode ficar mais caro que o produto “completo”. Como no sistema de crédito, você adquire o que deseja no tempo e valores compatíveis com sua renda: à vista ou a prazo. Como aqui há a opção de adquirir apenas o que se deseja, não necessariamente o custo final terá de ser maior.

Na área de internet em outra oportunidade mencionei que como usuário de determinados sites gostaria de ter a liberdade de personalizar a interface dos sites durante a navegação: queria poder mudar a interface do site de notícias para uma versão/modelo que me agradava mais no passado, ou poder suprimir/exibir as opções que uso com maior frequência ao usar o painel de controle de minha hospedagem.

A tecnologia para isso já existe, já é utilizada em algumas situações (blogs, sites de RSS) apenas ainda não é vista como diferencial a ponto de ser implementada de modo geral, infelizmente, penso eu. Em tempos de web 2.0 e conteúdo centrado no usuário acho estranho o mercado de internet não ver como diferencial competitivo permitir que o usuário personalize a interface de seus sites navegados a esse ponto. Até porque esse tipo de personalizaçãoé mais fácil e barata de se implementar do que num celular, por exemplo, que envolve criar compatibilidade de software e hardware com produtos futuros.

Enfim, espero que a indústria de modo geral (do liquidificador ao celular) acorde para essa possibilidade de projeto, mercado e consumo.

Nota:  Ao concluir este texto vejo anúncio  da operdaora de telefonia móvel Claro, que lançou novo celular – e plano – que possibilita adicionar funcionalidades ao celular. O progresso anda a passos largos, resta saber se é por aí que o mercado vai seguir.

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