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ERP – Sistemas de gestão open source em empresas brasileiras – Art. Nº 4

Algumas pequenas e médias empresas têm adotado sistemas ERP Open Source nos seus negócios. Em primeira análise, indicaria que tal decisão não seria aconselhável, principalmente por causa do modelo de propriedade do software e da constante atualização tecnológica requerida pelas corporações para seus pacotes ERP. No entanto, aproveitando a oportunidade para aprofundar meus conhecimentos no assunto, pude vislumbrar uma nova tendência que poderá ser um incomodo futuro aos pequenos, médios e grandes fornecedores de ERP. Entretanto, como toda novidade, existem muitos degraus a serem percorridos antes da efetiva adoção pelas empresas.

Segundo Sant’Anna (2004), o custo total de uso do Open Source ainda é maior que o do software proprietário, principalmente quando as empresas incluem os gastos despendidos com implantação, suporte e treinamento. Observando por este prisma, pode-se perceber uma tendência futura dos custos se tornarem menores de acordo com a disseminação deste novo modelo e uma maior quantidade de profissionais habilitados a trabalhar nesta modalidade de sistema.

Imagine uma empresa que cria um software ERP, totalmente open source. No mínimo, para concretizar uma venda, ele terá que ser implantado. Possivelmente, a cada implantação existirão customizações específicas ao cliente. Isto com certeza terá que ser cobrado, pois nenhum implementador realizará o serviço gratuitamente e como podemos constatar, o negócio de uma corporação não funciona exatamente igual à de outra. Logo, não haverá gratuidade, apenas uma mudança no método de cobrança das consultorias.

Entretanto, a grande vantagem de um ERP open source é não possuir custos de licenças. Segundo Tomé (2004): “Enquanto a implementação de um projeto de porte médio de um ERP proprietário tem um custo em torno de 300 mil reais, a execução de um sistema ERP na modalidade de software livre sai praticamente pela metade do preço”. No Brasil, o sistema ERP open source mais divulgado é o CompiereBR, entretanto, existem outros sistemas e projetos em andamento como: ERP PromiSys Easiness, Multi-Informática, Sentinela ERP, WebERP, SACI e Sistema Processa, todos utilizando a bandeira do software livre.

A falta de garantia de manutenção e evolução constante dos sistemas open source deve ser o principal fator de preocupação, pois na modalidade de código aberto, não há uma empresa responsável pelas atualizações do sistema e como sabemos, uma das grandes vantagens dos sistemas ERP é trabalhar com o estado da arte da tecnologia e dos modelos de processos, ou seja, as chamadas best practices (melhores práticas de mercado).

Além do fato citado anteriormente, a legislação brasileira é muito volátil, o que gera a necessidade intrínseca da empresa manter o sistema atualizado para operar no mercado. A equipe de manutenção e atualização do ERP também necessita ser multidisciplinar, pois há rotinas realizadas por contadores, administradores, engenheiros, advogados, profissionais de compras, vendas, recursos humanos além de analistas e desenvolvedores.

Neste momento, visualizo as organizações condicionando seus negócios a uma base frágil. Antes da adoção efetiva desta nova modalidade de sistemas ERP – open source – pelas corporações, há a real necessidade de amadurecimento deste mercado no Brasil, no momento não há como inferir muitos benefícios de sua utilização, entretanto boas expectativas para o futuro são percebidas. Há a necessidade do surgimento de grupos brasileiros, capacitados a discutir, definir idéias e métodos para viabilizar projetos ERP open source no médio prazo.

Segundo Goulart (2004), “os pacotes ERP de código aberto ainda demorarão um bom tempo para se tornarem realidade. Quando isto acontecer, ainda exigirão um bom dinheiro para serem implantados, mesmo que o montante represente uma fração de solução proprietária.”.

No Brasil, o pacote ERP open source com mais chances de progredir é o CompiereBR, pois seu desenvolvimento no exterior é bastante ativo e está sempre entre os dez mais ativos no SourceForge – maior site do mundo para o desenvolvimento de sistemas de código aberto.

Referências:

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NOBRE, Eduardo e JAMIL, George. Chega ao Brasil o primeiro ERP Open Source do mercado. O Deb@te, 2002.

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COEN, Luciana. Especial: Passado, Presente e Futuro da TI. Computerworld, 2004.

KICH, Christopher. Open-source ERP gaining users. Computerworld, 2004.

MILBERG, Kenneth. What’s up with Linux and ERP? LinuxWorld, 2004.

PAULO, Michela e TAVARES, Alexandra. Software livre garante mercado de trabalho. ComCiencia, 2004.

PAULO, Michela. O software livre está dentro da lei? ComCiencia, 2004.

SANT’ANNA, Mauro. As contradições do Open Source. Linha de Código, 2004.

BALDO, Wallace. Cobra lançará ERP de código aberto para municípios. IT Web, 2005.

BORGES, André. Mercado busca ERP mais adaptável. Computerworld, 2005.

BORGES, André. Municípios poderão alugar ERP. Computerworld, 2005.

CARVALHO, Amós. Framework e ERP Open Source. Sl-empresas, 2005.

CESAR, Ricardo. Mercado se volta ao ERP sob medida. Computerworld, 2005.

JACARANDA, Alexandre. Softwares livres administrativos para Linux. UnderLinux, 2005.

VILARDAGA, Vicente. Cada vez mais amigável. Forbes Brasil, 2005.

Dúvidas, críticas e sugestões – André Guedes – andre.guedes@gmail.com .

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